
Alberto Granato apresenta seu blog. Um espaço para pesamentos e comentários sobre educação, economia, litertura, política, cinema, viagens e hotéis, gastronomia, trânsito, informática e tudo mais que possa se transformas em um texto interessante. Na realidade, aqui é um espaço utilizado para reflexões e acontecimentos da caminhada deste guerreiro andarilho. Diga-se guerreiro das idéias, das palavras e da educação. Todos os direitos reservados a Alberto Antonio Alves de Oliveira Granato.
quarta-feira, 2 de junho de 2010
O outro lado da moeda

sábado, 29 de maio de 2010
Eleições Presidenciais e outras coisas

sábado, 3 de abril de 2010
Das questões globais às locais - o outro lado da margem do rio.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
O Futebol como espetáculo, o futebol como economia global

O ano é 1958, dia 29 de junho, cidade de Estocolmo, capital da Suécia; Brasil e os donos da casa fazem a final da copa do mundo. Por conta da tecnologia disponível na época, aqui no Brasil, como na maior parte do mundo, só é possível acompanhar o jogo pelo rádio.
No jogo histórico, o Brasil conquista sua primeira copa do mundo com um placar de 5 a 2 contra os donos da casa, com dois gols de Pelé, dois gols de Vavá e um gol de Zagallo. Um dos gols, o “chapéu” que o Pelé deu no zagueiro sueco dentro da área, é considerado por muitos como o mais belo gol marcado em uma copa do mundo.
Na realidade, a primeira copa do mundo transmitida pela televisão foi a copa de 1954, porém, somente para 8 países da Europa. No Brasil, somente no ano de 1970 foi possível acompanhar os jogos pela televisão.
Caminhando para o século XXI, 30 de junho de 2002, cidade de Yokohama. Outra final da Copa do Mundo. Desta vez, porém, o palco dessa incrível partida não poderia ter outro local, que não o futurista Japão. Brasil e Alemanha fazem a grande final, daquele que seria o mais esperado encontro da Copa do Mundo de todo os tempos.
Numa partida emocionante, Ronaldo Nazário, o Fenômeno marca dois belos gols, e o Brasil conquista o penta-campeonato contra a Alemanha, consagrando o Fenômeno como grande artilheiro da Copa (hoje ele é o maior artilheiro em Copas do Mundo de todos os tempos), o técnico Felipão e todo elenco brasileiro.
Na ocasião, o jogo foi assistido ao vivo por mais de 69.000 pessoas, contando com a transmissão da televisão para praticamente todos os países do Globo Terrestre, com um público estimado em 1 bilhão e 100 milhões de telespectadores, e isso só para a final.
Qual a diferença entre 1958 e 2002? Os valores arrecadados com marketing e propaganda que a televisão, e os demais meios de comunicação puderam gerar. Na metade do século passado, a forma de se enxergar o esporte era uma, mais pura, digamos. Hoje, é encarada pura e simplesmente como comercial.
Só para que tenhamos idéia do que representa comercialmente uma Copa do Mundo, segundo dados oficiais da FIFA, para a Copa de 2010, que será realizada na África do Sul, foram negociados $ 2,65 bilhões de euros, entre patrocínios, direitos televisivos e móveis. E esses números se referem apenas ao que a FIFA negociou.
Em se tratando de qualidade técnica, não vou entrar no mérito da questão. Acredito que de um modo geral, o espetáculo se elevou. Não digo que os jogadores de hoje são melhores que o de ontem, não é nada disso, tampouco vou fazer esse tipo de comparação, pois não sou a pessoa exata pra isso. Mas com todo o aparato tecnológico, é óbvio acreditar que mais pessoas podem acompanhar aos jogos com mais qualidade, com mais emoção, com maior envolvimento.
Hoje, com os modelos de televisão extremamente avançados, como os de tela de 42 polegadas, som digital, e transmissão de canais que disponibilizam 10, 20, 30 câmeras diferentes instaladas nos estádios, que mostram os detalhes mais imprevisíveis de uma partida, assistir aos jogos de casa, ou de um barzinho que possua um telão, com os colegas, é um programa cada vez mais popular.
Porém, os jogos de futebol são muito mais do que belos gols, ou diversão entre os colegas. O futebol do século XXI é um dos setores de eventos mais rentáveis do mundo. E quando olhamos o mercado por essa óptica, constatamos que muitos empregos direta e indiretamente são criados. A começar pela parte médica, fisioterapia, até a questão da segurança, da limpeza, da manutenção dos estádios.
Aqui no Brasil, ainda que o dinheiro comercializado não seja tão alto quanto na Europa, aos poucos se tem buscado um modelo profissional para a gestão do futebol. Diferente dos países europeus, Japão e Estados Unidos, temos gravíssimos problemas que vão desde a condição inadequada dos estádios, até a falta de segurança para o público, e até mesmo aos jogadores.
Contudo, ainda que em passos tímidos, o país dá passos para resolver alguns problemas cruciais, e formar administrações profissionais ao esporte, e não somente passionais. Temos uma meta a cumprir até 2014, uma vez que neste ano sediaremos a Copa. Estádios estão sendo reformados, estratégias estão sendo traçadas, empresas estão sendo abertas e pessoas, treinadas. E isso já neste ano de 2010, ou seja, existe uma repercussão e movimento já iniciado para o recebimento deste evento tão lucrativo e abrangente.
Dessa fase moderna do futebol, o Palmeiras foi o primeiro clube de futebol a contar diretamente com um patrocínio de uma empresa em suas finanças. Em 1992, a Parmalat, multinacional de laticínios italiana, adotou a estratégia de marketing de se associar a um clube popular no Brasil, e que fosse reconhecido nacionalmente, a fim de utilizar sua imagem para lançar seus produtos.
Houve, na ocasião, um sucesso duplo: a marca Parmalat rapidamente se popularizou no Brasil, e o Palmeiras conquistou vários títulos importantes. Na ocasião, a Parmalat adquiriu vários jogadores importantes, formando um time competitivo. Em troca, obtinha lucro de imagem, de produtos, e posteriormente com a venda dos jogadores que se consagraram, para o exterior.
No ano passado, outro marco na relação histórica entre o mundo dos negócios e o futebol: o retorno de Ronaldo Nazário, o Fenômeno, ao futebol brasileiro, especificamente no time do Corinthians. Sua aquisição trouxe uma mudança significativa no comportamento dos clubes e as suas relações com o marketing esportivo brasileiro, e com a forma de se buscar patrocinadores, que até então não se via.
Para se ter uma idéia, o atacante recebe um salário anual de R$ 3,6 milhões. Porém, valor bastante inferior ao que recebia na Europa. Para ter sua renda “complementada”, o atacante recebe cerca de 80% dos contratos que o Corinthians possui com a Bozzano e com o Banco Panamericano, que somam R$ 11 milhões, por exposição de seus logotipos nas camias dos jogadores. Ao todo, estima-se que o jogador receba cerca de R$ 12,4 milhões por ano, entre salário e acordos publicitários, sendo o maior salário da categoria, pago no país.
Por outro lado, o Corinthians também lucra com a valorização e com a imagem do jogador. Somente com a Batavo, o time conseguiu um aporte de R$ 18 milhões. Estima-se que ao todo, Corinthians e Ronaldo faturem cerca de R$ 51 milhões em patrocínio.
Seguindo a mesma linha do Fenômeno, o Flamengo e o atacante Adriano fizeram um casamento que rendeu a ambos, contratos milionários. Com grande destaque no futebol italiano, o atacante brasileiro Adriano retornou ao país repatriado pelo clube da Gávea, Segundo dados, só em camisas, foram vendidas mais de 932 mil peças, com média de preço entre R$ 140 a R$ 150. Do valor arrecadado no total, cerca de R$ 8,3 milhões ficaram com o clube, e 10% desse total foram repassados ao jogador.
Muitas pessoas fazem crítica ao comércio que é o futebol. Porém, é ingenuidade pensar que se trata de um esporte puro, livre das ambições do mundo dos negócios. Na realidade, o futebol é um negócio como outro qualquer, classificado entre o esporte e o entretenimento, assim como qualquer outro programa televisivo, ou evento. Claro que as emoções de se torcer por um determinado time, as jogadas fantásticas, tudo isso dá muita discussão, etc. e tal, move torcidas, causa polêmicas e discussões. E esse universo polêmico, não devemos nos iludir, também alimenta outra cadeia de negócios, oriunda do próprio futebol, e que é fundida a ele.
Mas, no final das contas, o que vale mesmo é o negócio como algo lucrativo, como algo rentável. E, por outro lado, se esse comércio permite trazer até nós craques do porte de Ronaldo, ou Adriano, melhor pra nós, melhor para a economia, melhor para o espetáculo. Assim são as coisas, como tudo na vida, como tudo no mundo, como em qualquer outro negócio.
domingo, 24 de janeiro de 2010
Brasil: Ordem e Progresso - O País dos Caranguejos

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Ano de 2010

São três meses sem escrever. Os últimos meses foram bastante exigentes, em relação há tomar meu tempo. E nas poucas horas vagas que tive, faltou-me inspiração. Tenho acompanhado um pouco de tudo, da política, da economia, da segurança pública, do entretenimento e cultura, e vejo um pouco de estagnação.
No fim de ano houve um crescente aumento das vendas, um pouco de expectativa e otimismo, que levou as pessoas a comprar. Moderadamente as pessoas abriram suas carteiras, e comprometeram suas economias.
O varejo agradece, mas, no geral, continuamos na mesma. Saramago está com um novo livro no mercado, "Caim", relendo os escritos bíblicos, como em "O Evangelho Segundo Jesus Cristo", que foi um sucesso de crítica.
No cinema, "Avatar" chega com toda tecnologia disponível, e ainda não vista até então. Uma excelente produção cinematográfica, com um roteiro comum. Mas de primeira linha.
No Brasil, as enchentes no sul, em São Luiz do Paraitinga e Cunha, e em Angra dos Reis dividiram os noticiários com desmoronamentos típicos de um país de terceiro mundo, nos mostrando o quanto ainda somos incapazes de administrar a ocupação do solo, de conter a miséria, a falta de estrutura, deixando à mostra nossos incontáveis problemas de país sem desenvolvimento.
Nossa tragédia só não foi maior que a do Haiti, país mais pobre das Américas, que já não tinha estrutura alguma. Agora, o Brasil de olho no marketing internacional, tenta oferecer ajuda milionária, esboçando querer liderar a recuperação do país, enquanto internamente somos incapazes de resolver nossos problemas. Tudo jogo político.
E por falar em jogo político, os candidatos à sucessão presidencial começam a fazer o aquecimento dentro do vestiário. O jogo vai começar pra valer após o carnaval. Serra, de um lado, representando a ele mesmo, contra Dilma, representando a falta total de simpatia do povo, com propostas que iniciam com o novo programa de Direitos Humanos, um projeto que, acredito, não chegará a lugar algum. Só está gastando tempo.
Lula segue com a aprovação acima dos 80%, o que não significa nada para a próxima eleição, a não ser para ele próprio, que viu seu filme circular pelas salas de cinema na tentativa de ser algo parecido com a trajetória de "Dois Filhos de Francisco". Não sei quem assistiu ao filme, tampouco a crítica a respeito.
A violência cresce, meio silenciosa. Parece que a polícia está perdendo, diariamente, seu espaço para o crime organizado. Isso até todo mundo sabe. Mas o que ninguém sabe é até onde vai essa crescente violência. Aos poucos, desde algum tempo, a segurança privada vem ganhando espaço e mercado no Brasil, e no Mundo, na tentativa de reparar essa situação.
Não digo conter a violência, mas manter seguro quem pode pagar por proteção particular. Isso funciona em parte. Nem toda empresa está preparada para lidar com a prevenção à violência. Enquanto isso, locais fechados, como os Shoppings Centers, agradecem, pois vêem seu público aumentar cada vez mais, com o anseio de poder passear em um local seguro.
Ainda assim, há muita coisa fora do controle, como no caso do atentado terrorista em Angola, à seleção de futebol do Togo. Além dos ataques terroristas já habituais, como no Iraque, Afeganistão, e até a tentativa frustrada contra os Estados Unidos, dentro de um avião.
Na economia Global, a China ainda cresce a passos largos, mas seus dias de corredor olímpico estão chegando ao fim. Não que ela vá quebrar, mas daqui pra frente o ritmo de crescimento vai diminuir.
Enquanto isso, a Europa e o Japão tentam manter estáveis suas economias, que, até o momento, são bastante polpudas. Já os Estados Unidos buscam formas de se reinventar em todas as áreas, em todos os meios, de todas as formas.
Na América do Sul, o Chile e a Argentina apresentam bons índices de crescimento, boa estrutura e plataforma de crescimento, além de altos índices educacionais, ao Chile principalmente.
Por fim, a tecnologia está avançando cada vez mais; a internet, os meios de comunicação, a televisão digital, os carros computadorizados, as construções do século XXI. Crescem e se ramificam para todas as áreas, como a saúde, a educação, o transporte público. Mas ainda restrita a quem pode pagar. Como sempre, a modernidade chega por partes, em poucas partes, e somente com o passar do tempo começa a se disseminar e chegar à grande massa.
No mais, parece-me tudo como antes. O Brasil buscando um lugar ao sol, tentando encostar-se às grandes economias globais, e os demais como sempre, buscando manter o seu pão de cada dia. Quanto a mim, ainda estou absorvendo os acontecimentos, pra direcionar os meus próprios passos.
domingo, 18 de outubro de 2009
A Origem da Tragédia: do Teatro Grego à Criminalidade no Rio de Janeiro.

O teatro, a música e a literatura foram os primeiros representantes artísticos dos conflitos humanos e suas relações históricas com o universo. Historicamente, o teatro é berço da tragédia. Inicialmente, na época clássica, com Sófocles, Ésquilo e Eurípedes. Sua gênese seria a de uma história construída a partir de indivíduos com características e valores distintos e extremos, enfrentando desafios e situações extremas e tendo como desfecho o drama.
Sua evolução acompanha a corrupção dos valores morais e sociais, o conflito individual e em grupo, e cria antagonismo tradicional entre heróis e anti-heróis.
Recentemente vimos as ações ousadas dos traficantes, no Rio de Janeiro, ao derrubarem um helicóptero da polícia militar. Esta ação tem um significado maior do que a explosão causada e do número de mortos. Transmite um recado do mundo do crime para as questões de segurança.
Fica nítido que o Estado não tem autonomia para prevenir ações criminosas. Num momento em que a cidade do Rio de Janeiro é escolhida para ser sede das Olimpíadas de 2016, e o Brasil comemora a realização futura da Copa do Mundo, em 2014, as velhas deficiências dão suas caras.
Essa incapacidade de conter ações criminosas de porte terrorista, e a sucessão das ações com vários ônibus queimados, e o caos espalhado pela cidade, junto ao toque de recolher e pânico geral deixam claras as condições em que nos encontramos.
Em seguida, figuras do governo federal aparecem na mídia dizendo estarem em plenas condições de ajudar o Rio de Janeiro, seja financeiramente, seja com apoio policial. Por que os figurantes federais fazem isso? Para disfarçar uma realidade e se eximirem de culpa, como dizendo que se trata de um problema estritamente do Rio de Janeiro e não do país, mas que eles do governo federal estão em plenas condições de apoiar o governo carioca?
Eles querem fazer de conta que o problema não é com eles, querem se eximir de qualquer tipo de culpa. Apenas jogo político, principalmente pelo fato das eleições no próximo ano. E, ao mesmo tempo, um prato cheio para a oposição.
Disputa política à parte, voltamos à realidade. São inúmeros os problemas que nos separam de um país desenvolvido. Ao mesmo tempo em que o governo esbraveja as conquistas do país, esconde a realidade. Boa parte da população analfabeta, vivendo em condições de miséria, com alto índice de mortalidade infantil, prostituição infantil e trabalho escravo.
Isto somado a um Congresso e Senado conivente com a corrupção, encobrindo todo tipo de sujeira, falhas graves como as do caso do ENEM, e interesses particulares se sobrepondo aos interesses do país. Quando as pessoas falham aqui, não assumem a culpa, a colocam no outro. Um velho ingrediente da tragédia. Ache um culpado para seus crimes. E faça dele o vilão. Depois, crucifique-o, e seja o herói.
Não estou tendo um olhar pessimista, e sim realista; se queremos ser considerado um país sério, precisamos ter um comportamento sério. Se queremos retorno financeiro com os projetos ligados ao petróleo, aos jogos olímpicos, à copa do mundo e outros eventos ou investimentos, precisamos ter um projeto sério para gerir os recursos disponíveis, investir no crescimento econômico, apoiar empresas, reduzir o número de desempregos, aumentar o setor produtivo, reduzir os juros, flexibilizar a cobrança de impostos e reduzir drasticamente a corrupção e a ineficiência do estado.
Falta-nos, acima de tudo, comprometimento. Afinal, temos empresas, recursos humanos e capital humano disponíveis, educação, tecnologia e recursos financeiros. Temos os ingredientes necessários para o crescimento e desenvolvimento, mas não temos o comprometimento necessário para sermos elevados a uma condição de primeiro mundo.
Volto a insistir, é responsabilidade de todos. Dos que estão no poder público, dos que votam nos políticos, dos empresários, de cada profissional que busca seu espaço no mercado de trabalho, de cada brasileiro. Antes de criticar, precisamos fazer a nossa parte; mas de forma crítica sim, de forma consciente e participativa.
